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Deixai-me chorar
Deixai-me chorar as minhas mágoas
Deixai-me chorar as minhas penas
São dores que em mim moram, tão serenas
Que num imenso mar são duas tábuas.
Tábuas de um naufrágio sofrido
A que me agarro p’ra viver…
Agarrada a elas poderei sobreviver
Onde não vejo rumo nem sentido.
Deixai-me chorar, ó sim, deixai-me
Deixai que assim lave a mente e a alma
E adormeça depois, serena e calma
Ó sonhos e promessas, embalai-me…
FELIPA MONTEVERDE