À Mãe Dolorosa

 

Minha Santa Mãe, hoje me prostro
A Vossos pés, desfiando o meu rosário
E nas contas dolorosas do Calvário
Contemplo toda a dor do Vosso rosto.

Passo as contas lentamente, num conflito diário
Em que percebo e sei Vosso desgosto
Reflectido no olhar doce e composto
Que me dirigis sem um comentário…

Senhora, as Vossas dores são bálsamo doce
Que me percorre a alma lentamente
Enquanto passo as contas deste terço…

Sofreis ainda tanto!... Como se Vosso fosse
O crime atribuído ao Inocente
Pela vil humanidade a que pertenço…

 

FELIPA MONTEVERDE

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