Quadras sentidas

 

Perdi-me nas fantasias
De um amor que me negou
Os carinhos e abraços
Que para o lixo deitou.

Eu não sei o que sentir
Por um amor como o teu
Que me roubou o alento
E em troca nada me deu.

Eu não sei que males faço
Nesta vida que me ignora
Que todos me repudiam
Todos se me vão embora.

A minha alma me disse
Mas eu não acreditei
Que o amor que eu te tinha
Era mais do que pensei.

Não tenho como saber
Se as vontades que te fiz
Foram por bem ou por mal
Ou para seres feliz.

Nunca soube de razões
Para não poder amar
Só soube de ocasiões
Para teu amor roubar.

A minha cor favorita
É a cor dos olhos teus
Quando o teu olhar me fita
Esse azul leva-me aos céus...

Tenho um recado pra dar
Aos amores de outrora:
Se nenhum cá quis ficar
Escusam de cá vir agora...

Apenas um simples recado
Te diria, meu amor:
Quero-te sempre a meu lado
Pra todo o lado que eu for...

Apenas um simples recado
Meu amor, eu te darei:
Teu lugar é a meu lado,
Desde que te vi que o sei...

Assim como a borboleta
Encontra sempre um flor
Tenho a esperança secreta
De encontrar um grande amor...

Os olhos do meu amor
São dois gatinhos cinzentos
Que ronronam sem pudor
Dentro dos meus pensamentos...

Se eu tivesse umas asas
Como a borboleta tem
Ia por todas as casas
À procura do meu bem...

Tenho o coração esmagado
A escorrer sangue e água
Por me ter enamorado
Por quem só me trouxe mágoa...

Um abraço para ti
E um beijinho, meu amor
Por teu amor me perdi
Encontra-me, por favor...

Mando-te um cento de beijos
E uma dezena de abraços
Para matar meus desejos
De te envolver nos meus braços...

Amor que trago no peito
Encanto que me seduz
Flor agreste, sonho eleito
Anjo de dor e de luz...

Ando nas nuvens, amor
Desde que te conheci
Sonhando que estás comigo
Que durmo abraçada a ti...

Quem me acode, quem me acode
Quem virá em meu socorro?
Meu coração já não pode
Viver sem amor... e morro...

Anda um segredo no ar
Guardado por passarinhos:
Que é a ti a quem vou dar
Meus abraços e beijinhos...

Ando a sonhar contigo
Desde que te conheci
Como é o sonho não digo
Digo que gosto de ti...

O amor é uma rosa
Nascida em Alexandria
Trazida pelos meus olhos
Para a tua companhia...

Eu sou como a borboleta
Que esvoaça ao teu redor
Minha alma é a paleta
Que pintou o nosso amor...

Se a vida me ensinasse
O que desejo aprender
Talvez eu assim deixasse
De te amar e de sofrer...

Não quero o que tu me dás
Nem o que pensas merecer
Só queria a sensação
De nunca te conhecer.

Não posso dizer que não
Aos teus olhos, meu amor
Que pode o meu coração
Falecer de tanta dor...

Conheci no teu olhar
Quem tinhas no pensamento
Depois deixei de te amar
Pois amar-te era um tormento...

Sinto que não te conheço
Quando passas a correr
Sem olhar para os meus olhos
Sem de mim quereres saber...

Ando nas asas de um sonho
Desde que te conheci
Nem sei bem onde te ponho
Só sei que gosto de ti...

Um dia fui namorada
Mais tarde fui a mulher;
Hoje já não te sou nada
Teu coração não me quer...

Sonhei dez vezes contigo
Outras dez por ti penei;
Se tu és sonho ou castigo
Confesso que não o sei...

Adormeci a pensar
Num amor que eu queria,
Para com ele sonhar
Até ao nascer do dia...

 

FELIPA MONTEVERDE

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