Quadras Populares
Menina que está à janela
A comer trigo com queijo
Tem a boca tão docinha
Azina p’ra cá um beijo.
Menina que está à janela
Olhando para quem passa
Tem os olhos de cadela
Venha comigo à caça.
Ó alecrim, rei das ervas
Ó erva rei dos mortais
Quem dá falas a garotos
O que recebe são ais.
A rosa enquanto botão
Por todos é respeitada
Mas depois de rosa aberta
Até aos pés é calcada.
Rapazes e raparigas
Olhai lá por onde andais
A honra é como o vidro
Quebrando não solda mais.
Se fores ao mar pescar
Pesca-me uma laranjinha
Ainda que ela seja azeda
Na tua mão é docinha.
O meu amor me deixou
Por uma palavra só
Já não há roupa em Viana
Para lhe eu guardar o dó.
O meu amor me deixou
Pensava que eu chorava
Nunca foi o meu costume
Chorar por quem me deixava.
O meu amor me deixou
Por outra mais bonitinha
Se a saia dela tem roda
A minha é mais travadinha.
Fui ao padre e confessei-me
Que não tinha amor nenhum
O padre me respondeu
Que arranjasse ao menos um.
Não quero amor pedreiro
Que está sempre pica, pica
Antes quero boticário
Que está dentro da botica.
Não quero amor pedreiro
Que dá trabalho a lavar
Antes quero marinheiro
Que é lavado no mar.
Não quero que me dês nada
Que o teu dar é pedir
Não quero daqui a pouco
Me tu venhas perseguir.
Minha mãe, case-me cedo
Enquanto sou rapariga
O milho sachado tarde
Não dá palha nem espiga.
Esta minha pouca sorte
Vem comigo de nascença
Tudo fala bem de mim
Mas é na minha presença.
De vermelho encarnado
Fez el-rei a carapuça
Quem tem raiva que remoa
Quem tem catarro que tussa.
(Recolha junto de Arminda Meira)